
‘Calvo do Campari’ é preso em flagrante por agressão à namorada e liberado com medidas protetivas
Em um caso que reacende debates sobre violência doméstica e o impacto de influenciadores digitais, o coach e influenciador Thiago da Cruz Schoba, de 3...
Em um caso que reacende debates sobre violência doméstica e o impacto de influenciadores digitais, o coach e influenciador Thiago da Cruz Schoba, de 37 anos, conhecido como Thiago Schutz ou "Calvo do Campari", foi preso em flagrante na madrugada de sábado, 29 de junho de 2024, em Salto, interior de São Paulo. Acusado pela namorada de agressão física e tentativa de forçar uma relação sexual, ele foi liberado após audiência de custódia, mas agora deve cumprir medidas protetivas impostas pela Lei Maria da Penha. O episódio expõe não apenas uma suposta violência, mas também o histórico controverso do personagem público, que já enfrentou denúncias por discursos misóginos.

A prisão em flagrante e o atendimento à vítima
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, a ocorrência começou na noite de sexta-feira, 28 de junho, quando policiais militares foram acionados para uma denúncia de violência doméstica na Rua Floriano Peixoto, em Salto. A vítima, uma mulher de 30 anos, foi encontrada com lesões corporais próximas à residência e relatou ter sido agredida pelo companheiro, Thiago da Cruz Schoba. Os policiais detiveram o suspeito ainda no bairro, evitando uma possível escalada da situação.
Ambos foram levados ao Hospital Municipal de Salto para atendimento médico imediato e realização de exame de corpo de delito, procedimento essencial para documentar as evidências de lesão corporal. Posteriormente, encaminhados à Delegacia de Polícia de Itu, prestaram depoimento. O boletim de ocorrência foi registrado como violência doméstica e lesão corporal dolosa, crimes que se enquadram na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que visa proteger mulheres em situações de vulnerabilidade relacional.
Durante a audiência de custódia, realizada no dia seguinte, Schoba foi liberado, mas com restrições rigorosas: proibição de aproximação da vítima em até 100 metros, suspensão de contato por qualquer meio e monitoramento judicial. A defesa do influenciador não foi localizada para comentar o caso até o momento da publicação deste artigo.
O histórico de controvérsias de Thiago Schutz
Essa não é a primeira vez que Thiago da Cruz Schoba, popularmente conhecido pelo apelido "Calvo do Campari" em redes sociais, se vê envolvido em polêmicas relacionadas a violência contra mulheres. Há quase dois anos, em fevereiro de 2023, ele viralizou com vídeos no perfil "Manual Red Pill Brasil", onde exemplificava supostas situações de "manipulação feminina". Os conteúdos, carregados de tons misóginos, geraram repercussão negativa e críticas de ativistas e influenciadores.
Um dos episódios mais notórios foi sua reação a uma sátira feita pela atriz e humorista Lívia La Gatto, que ironizava discursos machistas semelhantes aos dele. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Schoba respondeu com a frase "processo ou bala", interpretada como ameaça. Além disso, ele enviou mensagens intimidatórias à influenciadora Bruna Volpim, o que configurou violência psicológica.
Em março de 2023, o MP-SP apresentou denúncia formal contra ele por violência psicológica, um crime que pode resultar em pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. No entanto, em novembro do mesmo ano, a Justiça suspendeu o processo por dois anos, mediante uma proposta de transação penal do Ministério Público. A condição era que Schoba não cometesse novos crimes durante o período de suspensão, sob pena de reabertura do caso e agravamento das sanções.
Repercussões sociais e o debate sobre influenciadores
O caso recente de Schoba destaca a responsabilidade de figuras públicas nas redes sociais, especialmente aquelas que promovem conteúdos sobre relacionamentos e masculinidade. O "Manual Red Pill Brasil", inspirado na filosofia "Red Pill" – que questiona narrativas tradicionais de gênero e muitas vezes é associada a visões extremas –, acumulou seguidores antes de ser desativado em meio às controvérsias. Críticos argumentam que tais discursos normalizam atitudes agressivas, contribuindo para um ciclo de violência de gênero no Brasil, onde, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 1,3 milhão de casos de violência contra mulheres foram registrados em 2023.
- Impacto nas vítimas: A Lei Maria da Penha oferece ferramentas como medidas protetivas, mas sua efetividade depende de fiscalização rigorosa.
- Desafios judiciais: Suspensões condicionais, como a de 2023, visam reabilitação, mas falhas podem perpetuar impunidade.
- Redes sociais: Plataformas como Instagram e YouTube enfrentam pressão para moderar conteúdos tóxicos, mas a autorregulação ainda é insuficiente.
Conclusão: Um chamado por accountability
A prisão e liberação de Thiago Schutz, o "Calvo do Campari", servem como lembrete da interseção entre vida privada, influência digital e justiça. Enquanto ele cumpre as medidas protetivas, a sociedade brasileira continua a debater como combater a violência doméstica de forma mais eficaz. Casos como esse reforçam a necessidade de educação, fiscalização e punição exemplar para que influenciadores não usem sua plataforma para perpetuar danos. A vítima, por sua vez, recebe o apoio necessário, mas o trauma e a recuperação demandam tempo e suporte contínuo. Este episódio urge uma reflexão coletiva sobre gênero e poder nas redes sociais.





