
Empresários Ligados ao Caso Banco Master São Liberados em São Paulo: Desdobramentos da Operação Compliance Zero
Em um desdobramento surpreendente da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master, dois empr...
Em um desdobramento surpreendente da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master, dois empresários foram soltos na manhã desta terça-feira em São Paulo. André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, detidos temporariamente pela Polícia Federal (PF), recuperaram a liberdade após três dias de prisão. A notícia, divulgada inicialmente pela GloboNews, reacende o debate sobre a robustez das investigações e as brechas no sistema prisional brasileiro. Essa operação, deflagrada para desmantelar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes bancárias, continua a revelar camadas de complexidade no mundo das finanças nacionais, destacando a importância da transparência e da accountability em instituições financeiras.
O caso Banco Master ganhou notoriedade por envolver transações milionárias com o Banco de Brasília (BRB), levantando suspeitas de conluio e uso de empresas de fachada. Com prisões preventivas e temporárias se entrelaçando, a Justiça Federal se vê no centro de uma batalha jurídica que pode redefinir práticas no setor bancário. Neste artigo, exploramos os detalhes da soltura, o cerne do esquema investigado e as implicações para os demais envolvidos, oferecendo um panorama completo e atualizado do escândalo.
Detalhes da Soltura dos Empresários
A liberação de André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto ocorreu na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde ambos estavam detidos desde o último domingo. As prisões, de natureza temporária e com duração máxima de três dias, visavam garantir a efetividade das investigações iniciais da Operação Compliance Zero. De acordo com fontes da GloboNews, a soltura foi determinada ao fim do prazo legal, sem prorrogações, permitindo que os executivos retornassem à vida civil enquanto o inquérito prossegue.
André Felipe, ex-funcionário do Banco Master e atual diretor da Tirreno Participações, uma empresa criada em novembro do ano passado, é apontado como peça central no suposto esquema. Sua detenção foi motivada pela suspeita de participação em negociações que envolveram a compra e revenda de direitos creditórios no valor de R$ 12,2 bilhões. Já Henrique Souza e Silva Peretto, sócio de outra empresa investigada, foi preso por possível envolvimento em operações paralelas que facilitaram a movimentação desses recursos. Ambas as prisões ocorreram em São Paulo, mas a operação tem raízes em Brasília, onde o juiz federal Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal Criminal, autorizou as medidas.
A carceragem da PF na capital paulista, conhecida por sua estrutura temporária, não foi projetada para detenções prolongadas. Isso levou a discussões sobre a transferência dos presos para o sistema penitenciário estadual, uma prática comum em operações de grande porte. No entanto, a Justiça interveio para manter os detidos no local, atendendo a pedidos das defesas que argumentavam pela preservação da integridade física dos executivos em meio a um caso de alta visibilidade.
- Prisão Temporária: Dura até cinco dias, prorrogáveis por igual período, e serve para interrogatórios e coletas de provas.
- Local de Detenção: Superintendência da PF em São Paulo, zona oeste da cidade.
- Impacto Imediato: A soltura alivia a pressão sobre os investigados, mas não extingue as acusações pendentes.
Essa liberação pontual contrasta com a continuidade das investigações, que contam com o apoio do Ministério Público Federal (MPF). Especialistas em direito penal observam que prisões temporárias como essas são ferramentas cruciais para evitar a obstrução de justiça, mas sua curta duração exige agilidade por parte dos investigadores.

O Esquema Financeiro Envolvendo o Banco Master e a Tirreno
No coração da Operação Compliance Zero está um suposto esquema de fraudes bancárias que movimentou bilhões de reais. O Banco Master, uma instituição financeira de médio porte sediada em Brasília, é acusado de ter utilizado a Tirreno Participações como uma empresa de fachada para captar e revender direitos de recebimento de dívidas. Criada há menos de um ano e dirigida por André Felipe de Oliveira Seixas Maia, a Tirreno teria sido instrumentalizada para intermediar transações com o BRB, o Banco de Brasília, em um conluio que viola normas de compliance e anti-lavagem de dinheiro.
De acordo com a investigação da PF, o Banco Master comprou direitos creditórios da Tirreno no valor de R$ 12,2 bilhões e os revendeu imediatamente ao BRB. Essa operação, descrita como "em conluio" nos autos judiciais, sugere uma manobra para inflar balanços patrimoniais e possivelmente ocultar origens ilícitas de recursos. A Tirreno, apesar de recém-criada, acumulou um volume impressionante de ativos, o que levantou bandeiras vermelhas junto ao Banco Central e à Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Perfil das Empresas Envolvidas
A Tirreno Participações surgiu em novembro de 2023, com André Felipe à frente, aproveitando sua experiência prévia no Banco Master. A empresa se posicionava como gestora de ativos e direitos creditórios, mas sua rápida ascensão e as transações bilionárias chamaram atenção imediata. Paralelamente, a companhia de Henrique Peretto, ainda não identificada publicamente, é investigada por supostos laços com o mesmo circuito de negociações.
O Banco Master, fundado em 1998, é conhecido por operações de factoring e cessão de créditos, mas o caso expõe vulnerabilidades em seu modelo de negócios. Daniel Vorcaro, proprietário e presidente do banco, permanece preso preventivamente, e sua prisão foi fundamentada em evidências de que ele orquestrou o esquema desde o topo da hierarquia. Documentos apreendidos pela PF revelam e-mails e contratos que apontam para uma rede de favorecimentos, possivelmente envolvendo insiders do BRB.
Essa modalidade de fraude, conhecida como "cessão de créditos fictícios", é recorrente no setor financeiro brasileiro. Ela explora brechas regulatórias para simular ativos reais, permitindo a captação de recursos públicos ou privados sob falsos pretextos. A operação Compliance Zero, coordenada pela PF em parceria com o MPF, já resultou na apreensão de documentos, computadores e valores em espécie, ampliando o escopo da apuração para além das prisões iniciais.
Analistas econômicos destacam que casos como esse minam a confiança no sistema bancário nacional. O BRB, como banco estatal do Distrito Federal, enfrenta agora escrutínio adicional, com possibilidade de auditorias internas e sanções do Banco Central. A integração de tecnologias como blockchain para rastreamento de transações poderia mitigar riscos semelhantes no futuro, segundo especialistas consultados.
Situação dos Demais Envolvidos e Pedidos de Libertação
Enquanto André e Henrique celebram a liberdade temporária, outros cinco alvos da operação permanecem atrás das grades. Daniel Vorcaro, o banqueiro à frente do Master, é o mais proeminente, com prisão preventiva que não tem prazo definido. Junto a ele, executivos como Luiz Bull, também ligado ao banco, aguardam análise de habeas corpus. Esses pedidos, protocolados nas últimas 24 horas, argumentam falta de fundamentação para a manutenção da detenção, citando o risco de violação ao princípio da presunção de inocência.
A PF defendeu a transferência dos presos para presídios estaduais, alegando limitações logísticas na superintendência. Em ofício ao juiz Ricardo Leite, a corporação destacou que detenções preventivas indefinidas sobrecarregam sua infraestrutura, comum em megaoperações como a Lava Jato ou a Zelotes. No entanto, a decisão judicial, em segredo de Justiça, optou pela permanência em São Paulo, atendendo às defesas que priorizam a segurança e a proximidade com advogados.
- Prisão Preventiva: Sem prazo, visa garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.
- Pedidos de Habeas Corpus: Vorcaro e Bull buscam liberação imediata; análise pode demorar dias.
- Outros Presos: Incluem diretores e consultores do Master, com papéis variados no esquema.

A 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, sob a batuta do juiz Leite — conhecido por decisões firmes em casos de corrupção —, centraliza as deliberações. O segredo de Justiça protege detalhes sensíveis, mas vazamentos controlados ao UOL indicam que a decisão favoreceu argumentos humanitários, evitando superlotação e riscos em presídios comuns.
Implicações Judiciais e Regulatórias do Caso
O desfecho da Operação Compliance Zero transcende as celas da PF, impactando o arcabouço regulatório do setor financeiro. O Banco Central já sinalizou a possibilidade de intervenção no Master, com risco de liquidação extrajudicial se comprovadas as irregularidades. O BRB, por sua vez, emitiu nota oficial negando conluio e prometendo cooperação total com as autoridades.
Do ponto de vista jurídico, o caso ilustra a tensão entre prisões preventivas e direitos individuais. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem jurisprudência que limita detenções sem condenação, o que pode influenciar futuros habeas corpus. Além disso, a PF planeja novas fases da operação, com foco em rastrear fluxos internacionais de capital, sugerindo ramificações globais.
Especialistas em compliance enfatizam a necessidade de reformas: treinamentos obrigatórios, auditorias independentes e whistleblower programs poderiam prevenir esquemas semelhantes. O escândalo também reacende discussões sobre a Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/1998), que pode ser endurecida via projetos de lei em tramitação no Congresso.
Conclusão: Lições de um Escândalo Bilionário
A soltura de André Felipe e Henrique Peretto marca um capítulo interim no caso Banco Master, mas não o fim da saga. Com R$ 12,2 bilhões em jogo e instituições como o BRB sob os holofotes, a Operação Compliance Zero reforça a vigilância sobre o setor financeiro brasileiro. Enquanto alguns recuperam a liberdade, outros aguardam o veredicto da Justiça, e a sociedade clama por transparência total. Esse episódio serve como alerta: em um mundo de transações digitais velozes, a integridade deve prevalecer sobre o lucro. As investigações prosseguem, e o desfecho pode moldar o futuro da regulação bancária no país, promovendo um ambiente mais ético e seguro para todos.





