
Madeira de SC Sobretaxada nos EUA: Demissões no Setor Madeireiro Afetam a Economia Catarinense
Em um cenário de negociações internacionais tensas, a indústria madeireira de Santa Catarina enfrenta desafios significativos devido às tarifas impost...
Em um cenário de negociações internacionais tensas, a indústria madeireira de Santa Catarina enfrenta desafios significativos devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Embora haja alívio para alguns produtos brasileiros, como carne bovina e café, o setor de madeira e móveis continua sobrecarregado por uma sobretaxa de 40%, gerando impactos profundos na economia local. Santa Catarina, um dos principais exportadores de madeira e móveis do país, registra já mais de 2,2 mil demissões nesse segmento, com projeções alarmantes para o futuro. Essa situação não só ameaça empregos, mas também o Produto Interno Bruto (PIB) estadual, destacando a vulnerabilidade de indústrias dependentes de mercados externos.

Os Impactos Imediatos nas Exportações e no Emprego
A medida americana, implementada recentemente, beneficia itens primários como açaí e cacau, mas exclui produtos industrializados como madeira e móveis, que representam 37,3% das exportações catarinenses para os EUA. O estado, conhecido por seu polo madeireiro no Norte, como em São Bento do Sul, vê suas vendas recuarem 9,3% neste ano, segundo dados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Essa queda direta afeta não apenas o setor específico, mas também cadeias produtivas interligadas, como automotiva e elétrica.
Desde a aplicação das tarifas, o fechamento de vagas tem sido acelerado. No setor de madeira, 1,7 mil postos foram eliminados; nos móveis, 562; nas máquinas, 446; e na indústria metalúrgica, 313. Somando todos os segmentos impactados, o total chega a 3 mil demissões. Em setembro, uma empresa de móveis em São Bento do Sul realizou demissões em massa, reestruturando operações para sobreviver à crise. Esses números ilustram como as barreiras comerciais podem desestabilizar rapidamente uma região economicamente ativa.
Projeções Preocupantes e Alertas da Fiesc
A Fiesc, por meio de seu presidente Gilberto Seleme, alerta para um futuro sombrio se as sobretaxas não forem revistas. Em um ano, outras 19 mil vagas podem desaparecer, e em três anos, o número pode saltar para 45 mil. Esses dados são baseados em análises de exportações e tendências de mercado, considerando que os EUA são o principal destino das vendas catarinenses.
- Setor de madeira: Maior afetado, com risco de colapso em polos regionais.
- Móveis: Perda de competitividade global devido a custos elevados.
- Outros segmentos: Efeitos cascata em indústrias dependentes de insumos madeireiros.
Apesar do otimismo com a recente retirada de tarifas para alguns produtos — sinal de que negociações estão avançando —, a Fiesc critica a priorização de itens primários. Santa Catarina exporta predominantemente bens industrializados, diferentemente de frutas ou commodities agrícolas beneficiadas pela decisão de Donald Trump. Essa discrepância agrava a desigualdade no alívio econômico, deixando o estado em desvantagem.

Desafios Econômicos e Caminhos para Recuperação
Os impactos vão além do emprego: a redução nas exportações pressiona o PIB estadual, que depende fortemente do setor industrial. Cidades como São Bento do Sul, coração do polo madeireiro, enfrentam não só desemprego, mas também migração de mão de obra qualificada e desaceleração em serviços locais. Especialistas apontam que, sem diversificação de mercados — como Europa ou Ásia —, o risco de recessão setorial é iminente.
A Fiesc defende negociações bilaterais mais agressivas e incentivos fiscais internos para mitigar os efeitos. Programas de requalificação profissional também são essenciais para realocar trabalhadores afetados, evitando um ciclo vicioso de pobreza regional.
Conclusão: Um Apelo por Ação Urgente
A sobretaxa sobre madeira e móveis de Santa Catarina nos EUA é mais do que uma barreira comercial; é um alerta para a fragilidade da dependência externa. Com milhares de empregos em risco e um setor vital sob ameaça, urge uma resposta coordenada entre governo e entidades como a Fiesc. Diversificar exportações e fortalecer negociações internacionais podem ser o caminho para restaurar a estabilidade, garantindo que a rica tradição madeireira catarinense continue a impulsionar o desenvolvimento sustentável. Monitorar esses desdobramentos será crucial para o futuro econômico do estado.





