Setor de carne bovina brasileira diz que tarifas da China podem custar US$ 3 bilhões em 2026
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Setor de carne bovina brasileira diz que tarifas da China podem custar US$ 3 bilhões em 2026

O setor de carne bovina brasileiro enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente com a ameaça de tarifas impostas pela China, seu principal...

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O setor de carne bovina brasileiro enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente com a ameaça de tarifas impostas pela China, seu principal mercado de exportação. De acordo com estimativas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), essas medidas protecionistas poderiam resultar em perdas de até US$ 3 bilhões em 2026, afetando diretamente milhares de produtores e a economia nacional. Essa tensão comercial surge em meio a negociações bilaterais e investigações antissubsídio iniciadas pelo gigante asiático, destacando a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro à volatilidade geopolítica.

Reunião entre representantes do Brasil e da China sobre comércio de carne e soja

Contexto das Relações Comerciais Brasil-China

A China é o maior comprador de carne bovina brasileira, representando cerca de 50% das exportações do país em 2024. Desde a reabertura do mercado chinês em 2019, após a crise da Operação Carne Fraca, o volume de embarques cresceu exponencialmente, impulsionando o PIB agropecuário. No entanto, tensões recentes, incluindo investigações sobre práticas de dumping e subsídios, ameaçam reverter esse progresso.

Em 2023, Pequim iniciou uma apuração antissubsídio contra importações de carne bovina do Brasil, alegando que incentivos fiscais e de crédito rural distorcem o mercado global. Autoridades chinesas argumentam que esses benefícios tornam o produto brasileiro artificialmente barato, prejudicando produtores locais. O Brasil, por sua vez, defende que suas políticas são compatíveis com regras da OMC e essenciais para a competitividade em um setor que emprega milhões.

Impacto Estimado das Tarifas no Setor Bovino

As projeções da Abiec indicam que tarifas adicionais de até 30% sobre a carne in natura poderiam reduzir as exportações em 20% a 25% no próximo biênio. Isso se traduziria em uma perda de receita de US$ 3 bilhões em 2026, considerando o faturamento atual de cerca de US$ 12 bilhões anuais para o mercado chinês. Os efeitos cascata incluem:

  • Queda nos preços internos: Com menor demanda externa, o valor da arroba do boi gordo poderia cair em até 15%, impactando pequenos e médios produtores no Centro-Oeste e no Sul.
  • Desemprego no campo: O setor emprega diretamente 1,5 milhão de pessoas, e uma contração poderia gerar demissões em abatedouros e fazendas.
  • Efeitos na balança comercial: A agroexportação representa 40% das vendas externas do Brasil, e uma redução nesse fluxo agravaria o déficit em outros setores.

Especialistas do Instituto de Estudos do Comércio Exterior (Icomex) alertam que, sem diversificação de mercados, o Brasil corre o risco de uma crise similar à vivida em 2015, quando restrições sanitárias chinesas paralisaram embarques por meses.

Exportação de carne bovina brasileira para a China em porto

Respostas do Setor e Perspectivas Futuras

O setor reage com uma estratégia multifacetada. A Abiec e o Ministério da Agricultura buscam diálogo diplomático, propondo protocolos de certificação que garantam rastreabilidade e sustentabilidade da produção brasileira. Paralelamente, há esforços para expandir mercados alternativos, como os Estados Unidos, Europa e Oriente Médio, onde a demanda por carne premium cresce.

Medidas de Mitigação

Entre as ações em curso, destacam-se investimentos em tecnologia para reduzir custos de produção e programas de compliance com padrões internacionais. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que uma diversificação bem-sucedida poderia absorver até 30% do volume perdido para a China em dois anos.

No âmbito global, o Brasil pressiona a OMC por mediação, argumentando que as tarifas chinesas violam princípios de livre comércio. Analistas internacionais, como os do USDA, preveem que o desfecho dependerá de eleições nos EUA e da estabilidade econômica chinesa em 2025.

Conclusão

A ameaça de tarifas da China representa um ponto de inflexão para o setor de carne bovina brasileiro, com potencial para redefinir cadeias de valor e estratégias exportadoras. Enquanto as perdas de US$ 3 bilhões em 2026 soam alarmantes, elas também catalisam inovações e diversificações necessárias para um agronegócio mais resiliente. O sucesso dependerá de negociações ágeis e de uma visão estratégica que equilibre relações com a China e conquistas em novos horizontes, garantindo a sustentabilidade econômica do Brasil no cenário mundial.

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